Confissões


Bom dia!

O bom dia, bem alegre e sorridente, pode e deve ser contagioso. Não como uma contaminação maléfica, que faz do indivíduo um enfermo infeliz,

ao contrário, o bom dia é um dos poucos, raros, vírus que cada um de nós deve fazer questão de ter e transmitir.

Com suas variantes mutagênicas, o boa tarde e o boa noite, o bom dia bem instalado no organismo revigora, acalma o mais inquieto dos espíritos,

e apesar de não curar enfermidades, atenua, mesmo que momentâneamente, as angústias causadas por estas.

Porém não há de ser um bom dia qualquer. Ele deve ser munido do sorriso. Sim, aquele sincero em que não se sorri apenas com a contração da musculatura facial,

mas sim o sorriso em que se transparece a luz própria que cada um de nós carrega consigo. É com este tipo de sorriso que o bom dia tem de vir.

O bom dia sorridente, como se diz no popular - "aquele cheio de dentes" -, é capaz de fazer do triste paciente e do sério médico, bons e velhos

confidentes em que as angústias de um misturam-se com os conselhos do outro.

Ahh!! Se todos soubessem como é poderosa e fácil essa contaminação pelo virulento Bom Dia!

É provável que nesse caso pela primeira vez ouviríamos a OMS dizer: Como é bom anunciar que a pandemia do Bom Dia está em ascensão.

                                                 



Escrito por Aprendiz às 16h22
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Nascimento: Medicina 2010.1

Hoje, posso afirmar: Não há felicidade maior no mundo que "dar à luz". Não me refiro ao nascer de uma criança, mas sim ao despertar de um sonho. Nasce em mim a medicina, hoje, dia 4 de fevereiro de 2010. Simplesmente não sei explicar, ou melhor, não sei descrever a diversidade de sentimentos que transbordam de mim. 

Acho que ainda não coloquei os pés no chão, sinto-me flutuante, como se toda a alegria adormecida em mim, durante o tempo em que gestei esse querido sonho, de repente despertasse. 

"Who's to say

What's impossible? (...)

  Who's to say I can't do everything?

Well, I can try (...)"

 

"Meu sonho: Sugar toda a essência da vida e não ao morrer descobrir que não vivi."

O começo, o nascer...



Escrito por Aprendiz às 16h01
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Relação horizontal

   A relação médico-paciente alterou-se ao longo da evolução do homem. Já não há uma hierarquia do médico para com o paciente, mas sim um caminhar para a democracia, uma igualdade nas decisões. Atualmente, o médico que concilia o seu dever com a autonomia do paciente trilha o caminho ético para a melhor promoção da saúde. Os ganhos são inquestionáveis.

   Para o médico não há ganho maior do que perceber o real exercício de dois princípios éticos hipocráticos, os quais ao longo da sua graduação, ele jurou praticar. Dar autonomia ao paciente é exercer a Filantropia, princípio que destaca o amor pelo ser humano, pelo cuidar. Logo proporcionar o direito a fala daquele que se deseja curar, é antes de tudo um ato de amor para com o paciente, a profissão e os fundamentos éticos que ela defende. O diálogo, quando bem trabalhado, também potencializa no médico ganhos para com o princípio da Filosofia. Esse objetiva a busca pelo conhecimento, a atualização, de modo que através de uma boa relação, o médico passa a prestar as melhores informações aos pacientes.

    É preciso destacar, entretanto, que a prática da autonomia do paciente em equilíbrio com a beneficência médica é fruto de uma reflexão realizada ao longo da evolução do homem. Tem sido entre erros e acertos que o ser humano vem percebendo a importância desse equilíbrio. Ainda há resquícios de uma mentalidade arcáica que tenta revitalizar a ideia de médico-deus. Tal mentalidade, porém, tem sido frustrada graças não apenas à conscientização popular, mas também aos avanços tecnocientíficos no acesso a informação, como a internet.

   Logo equilibrar a relação médico-paciente tem sido uma evolução determinante para a promoção ética da saúde. Para o profissional, evitar conflitos mostra a importante característica médica de amar a vida e a busca pelo conhecimento.   



Escrito por Aprendiz às 20h48
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Não precisamos de mais problemas...

...precisamos de amor.



Escrito por Aprendiz às 20h47
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A voz do povo não é lixo

Não há coerência em denominar como lixo a expressão cultural de um povo. A música popular brasileira é um luxo em dobro, primeiramente, em decorrência do óbvio: trata-se de música. De forma secundária, e nem por isso menos importante, porque se caracteriza como popular.

A habilidade de dar voz a objetos inanimados gerando melodias que despertam sentimentos inexplicáveis em quem as ouve é de uma beleza admirável. Não há quem ao rítmo de um tambor não sinta o seu coração palpitar mais forte, ou ao som de um violão não seja transportado as suas mais profundas lembranças. A música, por si só, é luxo porque representa o sentir.

Com a música popular brasileira obviamente não é diferente. Esta, além de representar o sentir, expressa o sentimento, não de uma classe específica, mas sim, do povo. O caráter popular engrandece a música pois dá ao povo o direito de fala. Através do Pagode, Arrocha, Samba, Axé, entre outros estilos, que caracterizam a verdadeira música brasileira, não se resumindo ao estilo MPB, a população expressa as suas angústias, alegrias, ou seja, ela manifesta os seus sentimentos à sua maneira. Como pode ser isso um lixo?

Aos que desvalorizam a forma de fala musical do povo brasileiro, justificando para isso que as letras musicais são mal escritas ou que a melodia é desarmônica, ou ainda, que os temas são vulgares, resta apenas uma única resposta: O povo reflete, através da música, o seu sentir com os instrumentos que a ele foram dados e que para ele são importantes de serem usados.

Logo, a música popular brasileira é sim um luxo, de modo que, compreender essa beleza é primeiramente entender que o belo e o luxo encontram-se não em palavras bem redigidas ou estruturadas, por exemplo, mas sim, na simples característica de ser uma voz criada por aqueles que formam a maioria da nação, o povo.



Escrito por Aprendiz às 20h32
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Primatas violentos?

    Os homens não são dóceis, mas também não carregam em sua essência as características de "Macaco Assassino", de "Sóciopata", de "Psicopata".

    Não há sentido em vincular ao ser humano a característica de dócil, uma vez que ele carrega consigo traços animalescos que o faz matar para sobreviver. Criações de gado - bovino, suíno etc - expressam como o homem manifesta o traço animal de matar para se alimentar. Guerras, ao longo da história da humanidade, também exemplificam o ato de matar, neste caso, quando o homem sente que seu espaço está ameaçado ou a sua própria vida está em perigo. Logo, o ser humano não é dócil para que seja ensinado a matar, e sim, um animal que para defender a sua vida e a do seu grupo usa o seu instinto de matar.

    Entretanto, não cabe denominar o homem de "Macaco Assassino". Esta expressão simboliza um indivíduo naturalmente violento, o que é muito diferente de possuir um instinto defensivo para matar. A violência não se expressa como ato de matar para sobreviver, ela extrapola esse conceito, de modo que, ser um "Macaco Assassino" é violentar pelo prazer de matar ou de ver o outro sofrer, ou também, se expressa pela indiferença quanto a dor do outro. Em resumo, "Macaco Assassino" é uma "Sóciopatia" ou "Psicopatia" e, como tal, não é parte integrante de todos os seres humanos. Como ou por que um indivíduo violenta através de atos de "Macaco Assassino" é uma questão sem resposta no mundo acadêmico.

    Muitas são as hipóteses relacionando homem, violência, instinto de sobrevivência e sociedade, mas nada foi provado. Sabe-se apenas que o ser humano não é e nem pode ser dócil por natureza. Seu instinto animal não permite. Assim como se afirma também que esse instinto não resulta em "Macacos Assassinos", ou seja, ainda não há como criar regras quanto à natureza do homem. Existem muitos porquês, entretanto nenhuma reposta.



Escrito por Aprendiz às 20h03
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A mente é o limite

A noção de fronteira caminha paralela à história da humanidade. Esta percepção não se limita as barreiras físicas, mas sim, se estende àquela que sempre foi o marco para as grandes revoluções humanas: As fronteiras psicológicas.

Toda transformação executada pelo homem tem como grande obstáculo a sua própria mente. O que faz o homem romper suas barreiras mentais? Não há um único fator, e sim as relações entre curiosidade e medo. O desenvolvimento cerebral do homem chegou a tamanha complexidade que é constante o conflito entre curiosidade e medo, de modo que, no instante em que há sobreposição do primeiro frente ao segundo tem-se a certeza de que estático o homem não ficará.

As Expansões Marítimas exemplificam bem como o primeiro passo rumo à mudanças na humanidade requer a quebra do medo e sobrepujança da curiosidade. O horizonte era o limite, além dele o desconhecido inquietava e amedrontava. Hoje, o mar que um dia foi fronteiriço é visto de maneira banal nos aviões e ônibus espaciais. Atualmente, nem o céu é o limite.

Revoluções culturais também são quebras de barreiras psicológicas. Nas revoluções Cubana e Francesa, na Semana de Arte Moderna, no Maio de 68 e nos golpes de Estado ao redor do mundo, em geral, os elementos de partida sempre foram as fronteiras psicológicas. Todos os líderes e participantes desses movimentos que mudaram a história da humanidade foram munidos de curiosidade e esperança para superar seus medos e avançar sobre os seus muros mentais lutando assim por seus objetivos.

Dentre as muitas conotações que a palavra fronteira tem, nenhuma se destaca mais que a vinculada à psicologia humana. Dobrar a esquina ou seguir em frente, ir a lua ou ficar na Terra, reivindicar a justiça social ou aceitar as injustiças, combater a censura ou ser censurado. Para todos esses, a mente é o limite.



Escrito por Aprendiz às 19h35
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Sem dinheiro, nem a vida vai pagar

A saúde pública brasileira sustenta-se numa dupla viga desumana. A ineficiência do Estado converge juntamente com a frieza médica no abandono a vida. Quaisquer vidas?   Não. Afinal, há médicos e um Estado atuante para todos que podem pagar. Pagar? Quanto vale um médico?

Segundo os princípios fundamentais do código de ética médico, artigo 2º: “O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano.” Neste mesmo capítulo tem-se: “a medicina não pode em qualquer circunstância, ou de qualquer forma, ser exercida como comércio. ” observa-se um paradoxo? Na verdade, a hipocrisia percorre pela profissão.  Fala-se em atenção aos seres humanos quando a realidade mostra hospitais públicos lotados de pessoas que mais parecem objetos velhos e abandonados. O código veda a comercialização, mas o que dizer dos caros planos de saúde? Se a prioridade é a saúde coletiva, como afirma o primeiro artigo da ética médica, o que fazem a maioria dos médicos distantes do SUS? Desumanizados e cegos por suas ambições materiais, estes encontram-se nas milhares de clinicas particulares, fazendo da saúde um grande e “gordo porco de dinheiro”.

Somada à frieza da categoria médica frente ao abandono de uma maioria pobre, tem-se um Estado inerte. Não há brasileiro, consciente dos seus direitos, que não se questione quanto ao destino dos impostos. O governo desobedece descaradamente à constituição ao não fornecer, entre outras coisas, um sistema público de saúde de qualidade. Faltam profissionais, aparelhagem e estrutura física enquanto sobram pacientes sem leitos e filas quilométricas em busca de um atendimento, em geral, desumano. Esta má assistência é justificada pelos atendentes, inclusive médicos, na ausência de boa remuneração. Uma vergonha. O respeito à vida, inexistente no Congresso Nacional, vincula-se à saúde através do capital. Os códigos de ética foram jogados no lixo.

Quanto vale um medico? Atualmente, caro, e muito caro. Um preço que alguns pagam financeiramente enquanto muitos nem a própria vida pode pagar. A administração pública é culpada, mas não a única. Os médicos precisam rever os seus conceitos.

P.S. fonte da imagem: www.fotosearch.com.br/BDX118/bxp27088/



Escrito por Aprendiz às 10h03
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Uma questão de planejamento estrutural

  O prenúncio de epidemia alertou o Brasil sobre o retorno do fantasma Aedes aegypti. No passado, o vetor proliferou a febre amarela. Então, Osvaldo Cruz solucionou. Entretanto, 107 anos após as eficazes ações do higienista brasileiro, a sociedade vive uma batalha com a dengue. O mosquito voltou ao foco das discussões brasileiras. Se há mais de um século um médico já mostrava a solução, o que ainda falta para enterrar este problema?

  Muitos são os culpados: falta de iniciativa da população ao combate aos criadouros do mosquito, saúde pública precária e ausência de fiscalização pública. Mas, nenhum destes retrata a situação tão profundamente quanto a questão da urbanização. Reflexo de consumo, as cidades são modeladas para alimentar uma sociedade de desrespeito ao espaço ambiental e para supervalorizar os ânseios individuais de uma minoria. O espaço urbano não é feito para seres humanos, e sim, para o sistema capitalista. Cidades como Salvador esclarecem o porquê da contínua disseminação do Aedes aegypti, uma vez que, áreas verdes são substituidas por concreto enquanto espaços preexistentes mantem-se abandonados. É preciso praticar planos de sustentabilidade urbana em prol da população. 

  Osvaldo Cruz prescreveu a receita, mas é preciso que o problema ganhe espaço também nos pensamentos de arquitetos e engenheiros. Os agentes sanitários denominados de mata-mosquitos por Cruz juntamente com o debate midiástico realizado pelo Ministério da Saúde para conscientizar a população sobre o problema são ações imediatas e necessárias. Não obstante, é preciso também fazer da situação um debate sobre urbanização. O governo já abriu um pequeno espaço ao idealizar o Plano Nacional de Urbanização, cabe agora lembrar que as discussões desse plano podem solucionar problemas como a dengue.

  Repensar o conceito de cidade é fundamental. Mais que ações sanitaristas, Osvaldo Cruz mostrou que a arquitetura das cidades também está errada. Os muros de jardim derrubados em decorrência das suas idéias deram os primeiros passos para se refletir a urbanização. No passado, a discussão morreu com o desaparecimento do mosquito. Agora que este retornou é preciso reviver também as cidades e por fim à fantasmas como o Aedes aegypti.



Escrito por Aprendiz às 10h45
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Dupla análise de decisão pessoal: Eutanásia

  Na existência ou não de religião, o livre arbítrio é um dogma no ser humano. As consequências dos atos, estes sim, tem diversos julgamentos de acordo com o que cada indivíduo entende como verdade. A eutanásia parte desta lógica. E como tal, não deve ser questionada quando há consciência de escolha do paciente. A questão é: Viver é um direito ou dever quando o protagonista não mais pode arbitrar sobre a sua vida ou morte?

  Responder tal pergunta relativiza-se quando a decisão está naquele que suporta ou não a dor de assistir a um estado vegetativo. É neste momento que a opnião pública lança o seu veneno em "defesa da vida". A Igreja Católica denomina assassino aquele que sucumbi à situação, não suporta a dor da perda contínua e opta pelo desligar dos aparelhos que mantêm vivo o que já está humanamente morto. Não há homicídio no desejo de libertar vidas, uma vez que, todos os envolvidos prendem-se à dor de um paciente conscientemente morto. Entretanto, é preciso lembrar que há quem se alimente da esperança. Para estes, a ausência de opinião do paciente é a única questão pertinente sobre a decisão tomada.

  Fugindo da pessoalidade da decisão, é destacável o gasto não apenas emocional, mas sim, financeiro em tal situação. O que parece, a priori, um pensamento insensível, chama atenção ao se observar que a verba que sustenta um estado vegetativo pode ser direcionada para uma assistência a casos solucionáveis. Há situações em que as cifras chegam a casa dos milhares. Eluana Englaro exemplifica tal questão. Não existe justiça em permitir que, em sistemas de saúde pública em que sempre há quem necessite de financiamento para findar o seu quadro patológico, seja mantido com alto custo pacientes conscientemente mortos.

  Retornando a polêmica pergunta introdutória, observa-se que dois argumentos caminham a eutanásia para o âmbito legal. Quando inexistente a capacidade de decisão entre vida e morte, esta caberá aos individuais pensamentos daqueles de maior proximidade com o paciente. Cabe a eles analisar o custo emocional e financeiro da situação.



Escrito por Aprendiz às 10h08
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Argumentos na mesa. É hora de dialogar.

    Interromper a gravidez é um direito ou crime? A sociedade brasileira ainda não respondeu a este dilema. Apesar de presente na constituição, o termo aborto, ao que parece, mantem-se distante das conversas informais dos bares ou da "mesa familiar". Gradualmente, porém, o debate ganha espaço. Nem a "poderosa" Igreja Católica - maior opositora da discussão - impedirá o direito ao diálogo e choques de idéias entre cidadãos, ciência e religião. Então, que comece o debate.

    José Gomes Temporão, ministro da saúde, destacou a importância de um plebicito. Segundo ele, a questão do aborto extrapola a discussão de ser ou não um homicídio. É também um problema de saúde pública. Cerca de 250 mil mulheres anualmente são internadas por complicações resultantes de abortos sem assistência médica adequada. Fato este que gera altos custos para o Estado. Destaca-se também os índices de crianças abandonadas pelo não-aborto e medicamentos abortivos, como o Cytotec. Estes fármacos ilegais entram no país sen quaisquer controle sanitário e alfandegário, gerando novos internamentos e também déficit para o governo. Portanto, o desgaste orçamental, o comércio ilegal de Cytotec e as 250 mil mulheres anualmente internadas são também argumentos para se refletir sobre até onde o aborto deve ser ilegal e quais os mecanismos de controle.

   Ainda expondo os questionamentos pertinentes a interrupção da gravidez há um forte choque entre ciência e religião. É curioso pensar que ambos concordam quanto a existência de um ser vivo ainda que nas primeiras semanas de gravidez. Os dogmas católicos e livros médicos como o K.L.Moore, The Developing Human, confirmam esta premissa. Entretanto, divergem quando médicos realizam o aborto em situações de risco a mãe ou quando esta não apresenta maturidade sexual, caso de crianças estupradas. Em momentos como este ciência e religião justificam suas posições com a expressão "defesa a vida". Há incoerência em suas justificativas? Não. Ambos defendem as suas verdades, os dogmas de cada categoria. O erro apresenta-se quando um grupo tenta se impor, não respeitando o diálogo.

   Logo, observa-se que a discussão do aborto e um plebicito são necessários, uma vez que, Estado, ciência e religião apresentam motivações e justificativas particulares. Os 250 mil internamentos anuais provam que proibir sem dialogar, como as autoridades católicas desejam, não é a solução.



Escrito por Aprendiz às 14h54
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É preciso visibilizar a "erva".

 Conjugar o verbo proibir entre as linhas da legislação não é a solução para o combate ao uso da maconha e por consequência o tráfico. Existe uma lógica em legalizar e duas associações históricas mostram a veracidade desta afirmativa.

 Ao esclarecer o objetivo da legalização da Cannabis sativa, nome científico da maconha, o fumo e o álcool devem ser citados. Duas drogas lícitas, ambas ilustram como tráfico e uso são combatidos pela exposição ao público sem o rótulo da ilegalidade. Fascínio dos jovens e adultos nas décadas de 60 e 70, o cigarro "careta", como é chamado o fumo, não necessitou de leis proibitivas no Brasil para que hoje esteja à falência do uso. Ao contrário, a legalidade permite o diálogo aberto de modo que campanhas publicitárias contra o uso chocam-se contra a ideologia do bem-estar que as empresas de fumo lutam para transmitir. Exemplo mais efetivo de combate não pode existir do que estampar nos maços imagens e escritas chocantes contra o consumo.

 Já o álcool apresenta um curioso histórico. Proibido nos Estados Unidos entre 1919 e 1933, voltou a legalidade pela clara percepção do aumento do consumo ilegal e do tráfico consequentemente gerado. Hoje, apesar das fortes campanhas publicitárias a favor do uso - Saúde, beleza e sexo fácil sempre ligados ao álcool - linhas contrárias ganham efeito em todo o mundo - Durante grandes festividades, como o carnaval, o álcool é vinculado a consequências reais de violência como as do trânsito. As bebidas alcóolicas vivem um momento de transição pelo qual o fumo passou e, com a legitimação, a maconha passará.

 Não se combate um inimigo caso este não seja visível. É preciso visibilizar a maconha e dialogar abertamente com a sociedade sobre as consequências do seu uso. O álcool provou que proibir não é solução e o fumo concretiza que existe o caminho para o fim. A estagnação atual não resolverá os problemas.

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Aprendiz às 00h19
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Não há discussão. A regra já está formada.

 A igreja católica luta numa batalha finda em que não aceita a derrota. O uso de preservativo incorpora-se na sociedade obedecendo uma necessidade imediata: O combate as doenças sexualmente transmissíveis, DST, e a gestação indesejada. 

 O cardeal Geraldo Majella, em resposta a campanha que ocorreu em frente ao Pacaembu a favor do uso da camisinha durante a visita do papa Bento XVI, mostrou a postura inflexível que a instituição católica teima em manter, ainda que os jovens, participantes da campanha, não tenham recebido críticas, mas sim apoio, por parte do público católico que se encontrava no local. Percebe-se então a incoerência das ações da igreja: Esta batalha contra os que se encontravam tanto dentro quanto fora do catolicismo. Levante-se, por consequência, uma coerente questão: Se as instituições são reflexos ideológicos daqueles que as formam, não deveria caber ao grupo as decisões da instituição? Observando os fatos é perceptível que a decisão tomada pelo coletivo não é aceita pela minoria que detem o poder organizacional católico. O cardeal e seus membros da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil precisam rever seus conceitos sobre o que é coletivo.

 A incoerência, ao que parece, é uma constante do catolicismo. Majella exemplificou perfeitamente este aspecto. "É necessário que regras sejam estabelecidas", foi o que ele afirmou. Questiona-se, porém: Quem formulará as regras? Ou melhor, estas já não existem? Os católicos que se encontravam no local responderam tais questionamentos perante suas ações. Os 187 milhões de brasileiros, católicos ou não, regraram-se a usar preservativos e as instituições, religiosas ou não, são reflexo desta decisão.

 Não há dúvidas que a batalha igreja x camisinha reflete o passado. As atuais declarações de membros como Geraldo Majella nada significam, uma vez que, a sociedade já determinou que usar camisinha é uma defesa a vida, um combate à problemas futuros.



Escrito por Aprendiz às 18h29
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Fecha-se os olhos e enxerga-se as verdades.

 Analisar o estado de cegueira possibilita um paradoxo intrigante: Estar cego é lançar outros olhares, é enxergar e perceber as diversas verdades que um único fato pode acarretar.

 Ouvir, cheirar, tatear, degustar, infinitivos que se aprimoram na vida daqueles que rompem com a superficialidade.Aquele que verdadeiramente lança seu olhar sustentado nestes verbos, repara o outro não pela roupa que este usa ou o estato social que ocupa, mas sim, pelas suas virtudes, observa-o como ser humano que este é e, como tal, erra e acerta ao longo da vida.Desse modo, o cego rompe uma visão preconceituosa e passa a escutar o que o outro tem a dizer, tatear o ambiente, sensibilizando-se para as diversidades de formas, enfim, observa a sociedade sob uma ótica mais detalhista.

 Existem, porém os muitos que não possuem tamanha percepção para a cegueira aqui descrita.Ou porque aos seus olhos são lançados pré-moldes de ideologias ou em detrimento de se negar a verdadeiramente enxergar.Os primeiros são alimentatos por um sistema de educação "acefálico", ou seja, aos indivíduos, não é disponibilizada a chance de digerir os detalhes de uma informação com seus próprios sentidos mentais.A estes a informação é posta como pronta e extremamente superficial.A mídia brasileira e sua absurda forma de manipular notícias é um exemplo de meio que sustenta este grupo.

 Já os que optam pela futilidade do superficial, estes, sim, são os piores cegos.Entretanto, esta é uma cegueira diferente da que está a cima descrita.Estes cegos têm consciência da verdadeira realidade, conseguem perceber e reparar todos os detalhes julgados como bons ou maus da vida.Mas, ainda assim acreditam que o ideal está em se manter omissos, optam por uma visão rasa nos seus relacionamentos, imbuidos de preconceitos.Muitos são os políticos, por exemplo, que aderem a esta cegueira, negligenciam a realidade e as suas responsabilidades.

 Logo, cegar-se é perder a superficialidade, é tornar-se sensível ao meio, é apegar-se aos detalhes da vida.Porém, é preciso que estes cegos não sejam negligentes com o que vêem, uma vez que, estes podem ouvir, tatear, cheirar, sentir a vida melhor que outros e como tais devem libertar os olhos daqueles que ainda não verdadeiramente vêem.

 



Escrito por Aprendiz às 23h28
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Você é feliz?!

 Como definir a felicidade? Como dizer se estamos felizes ou não?

 Pelo menos uma vez, no curto trajeto da vida, nós fazemos a mesma pergunta: sou feliz? Alguns responderão que sim, associando para isso suas riquezas materias. Outros suas riquezas esperituais. Sempre comparações em busca da definição, essa é a essência do que é ser feliz?

 Schopenhauer, por exemplo, definiu a felicidade como um estado momentâneo de êxtase, uma vez que para ele vivemos numa constante infelicidade. 

 A ciência busca explicar nossa felicidade através de interações biomoleculares no cérebro, dai vem, por exemplo, toda a "ladainha" sobre a serotonina. Ou seja, para a ciência, parte da nossa felicidade, ou ela por completa, está sobre a responsabilidade da ação desta substância. Não acredito que seja tão simples assim. Veja bem, não estou questionando as explicações bioquímicas, mas isto é insuficiente para definir a essência da felicidade.

 Ainda em busca de explicações observo o que os mais religiosos tem a dizer. Felicidade é estar em sintonia com deus(es). Ainda muito vago para mim, pois o estado de sintonia leva a comparações pré-formadas, ou seja, a religiao X afirma que o fiel encontrará felicidade seguindo mandamentos, logo estar feliz para alguem que segue tais mandamentos é cumprir estas ordens pré-estabelecidas, o que promoverá a liberação de serotonina na sua corrente sanguínea e enfim chegará ao estado aqui discutido. Tem-se uma definição? Não, apenas mais uma comparação, mais uma associação.

  Simplicidade. Muitas foram as vezes em que ouvi a felicidade ser definida através das ações mais simples, como o sentar embaixo de uma árvore ou uma caminhada com um velho amigo. Ouvi também que quem busca a felicidade deve migrar para o interior, lá, a vida é mais calma e a simplicidade é facilmente alcançada. Outra associação.

 Começo a pensar então que é inevitável não associar. A definição traz consigo uma série de comparações que, na verdade, refletem o que se entende por bem ou mal. O que se entende como prioridade.

 Obviamente que prioridade é algo muito pessoal, entretanto, diante das situações que já citei não é difícil de concordar que a melhor das opções para ligar à felicidade é a simplicidade. Buscar ser feliz no simples raiar do sol, por exemplo, não creio que seja algo difícil de incorporar. Então, por quê não existe uma generalização nesse sentido? Ou pelo menos uma maior parcela que adere a este aspecto?

 Volto a Schopenhauer e começo a lhe dar razão. Para maior parte da humanidade, direta ou indiretamente, é preciso vincular a felicidade com uma busca "distante".Assim ao alcançar tal busca, todo o trajeto de infelicidade é substituido parcialmente por uma felicidade fervorosa para posteriormente ser substituida por uma nova busca e mais um longo período de infelicidade. 

 Há em ser humano uma tendência masoquista?!



Escrito por Aprendiz às 17h16
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